Arquivo mensal: junho 2015

Tanto queria ter que o quanto de tudo que esperava

Não ser

Mal sabia que ia anteceder

O novo-fim do próprio modo de viver.

Te quero tão longe

Quanto

Aquela nuvem cinza

Naquele

Céu marinho atrás dela.

Ainda posso as ver daqui;

Amanhã quem sabe outras?

Quem sabe nada?

Todo mundo que não sabe de nada mal sabe que toda base de lata maltrata a superfície pra baixo.

Sangue frio

Suave

Tinto

De mesa

Por favor.

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Dei passos tornos

Hoje pela noite

Nitidamente desequilibrada,

Olhando pra baixo, falando sozinha

Chutei o chão

Perdi o canto da unha

Rua dos Andradas

Neblina na calçada, meia dúzia de pessoas carregando cobertores esburacados

A patrulha da limpeza lança um jato de água nos cantos mijados

Sem óculos, distante avistei a luz de um boteco

Atravessei o sono dos pombos no fio

E fui comprar um cigarro avulso

Comprei um masso

Dei três pra um cara.

Vi duas prostitutas trocando outros Dallas na Voluntários

Amigas antigas em alguma cena de cinema

De um diretor que agora dorme num lugar distante.

Sentei na escadinha do chalé

Cansei logo de assistir aos passos rápidos e inseguros em direção a estação

Reposicionei o corpo; vi melhor o telhado do mercado, o céu, a neblina e a lua

Pensei em porra nenhuma

Só queria curtir a solitude com estilo.