Arquivo mensal: maio 2015

Se eu fosse por ti, Baltazar, seria difícil. Lembra. Pensa um pouco antes de vomitar tuas merdas incoerentes no meio da minha cara. Qual o teu prazer com vomitos na cara das pessoas? Qual o teu prazer em encaixar o rabo no trono da maior-vítima-do-mundo, Baltazar? Seu sociopata de merda. Baltazar, viste como eu evoluí? Não tens vontade de fazer o mesmo? Hoje eu segurei todas as forças que eu tinha para não quebrar aquele prato na minha cabeça. Lembras quando eu cortei toda a superfície do meu dedo indicador direito pra ver se tu paravas de falar? Pensei no Soneto de Santa Cruz hoje; não todos os versos, mas em geral lembrei do que me importava na hora. Tu não queres pensar nas tuas decoradas citações de Napoleão quando sentires que vais começar a me chamar de doente?

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Oi. Não pude parar de pensar sobre hoje. É estranho e parece no mínimo hipócrita dizer que “não pude” deixar de pensar; acho que posso; acho que poderia, mas não pude parar. Nesse caso sugiro atribuirmos um significado secundário ao verbo poder, e dando significância à palavra como receptor da mensagem, Baltazar; entendes que eu não pude parar de pensar sobre hoje? Entendes que não existe retórica na minha incapacidade de parar de pensar nisso?

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A estética do estranho que estranha a si mesmo releva o oposto e prevalece o estranhamento ao que é semelhante. O implícito escorre pela cara de quem, estranho como o estranho incoerente, pensa que é gente e fala “a gente”, estranhando a recusa do outro, que agora se agarra a um comum consistente.

Porque sim? Eu não sei. Permaneço agora nesse umbral interno procurando uma margem pra entrar na consciência. Tá difícil. Por fora não; flutuo como uma imbecil por ambientes aleatórios. Sujo, limpo, passo, como amassado, pisado, defecado. Eu não sei o que eu to fazendo da minha vida, e fazer alguma coisa da minha vida agora me parece exatamente não fazer nada pela minha vida. Paralelamente o que eu faço é não estar fazendo nada, mas eu faço muita coisa; muito agora é nada e isso me tira a noção de quantidade das coisas. Eu vejo todo mundo que é do meu mundo me dizendo que só to fazendo merda sem botar uma palavra pra fora; aí eu sento o rabo e a mente num cigarro; acho que to fazendo tudo, penso que não to fazendo nada.

Daqui pra antes 

Hoje, enquanto eu caminhava, alguem retirou um objeto da lata de lixo e me atirou. “Sub-emergir seria tipo encher um balão pra dentro?” comecei a pensar que esse seria um bom fragmento de diálogo atribuído a uma conversa entre duas pessoas que não existem verdadeiramente nessa dimensão na qual eu fui acometida a existir; quem observa uma cena  ignorante dessas e forma uma frase assim? E talvez essa teoria estúpida seja só reflexo do paralelismo alienante que caiu amarrado em uma pedra dentro de mim. Por aqui eu ando lenta-quente, amizade; a carne queima com o fogo, é tempo de medir os passos longos, digreções são dolorosas, meus pés já vão se arrastando quando agouro estas situações de retrocesso.   Então, em uma noite recém caída, depois de passos atras de passos percorrendo mais de quinze ruas, perfilei meu rosto sobre o travesseiro; pensei em muitos adjetivos que poderiam ser contidos nas linhas de um pequeno texto; “pobreza vocabular laudada”, eu disse, e joguei dolorosamente meu braço esquerdo em direçao ao caderno; aproveitei a viagem do braço e apanhei o lápis esticando o dedo indicador em direção a ponta do grafite. Nada além de linhas formadas por palavras refluídas de outras anotações reproduzidas de outras escritas…Quando coloco esses pensamentos em ordem, percebo porque ando medindo tanto; perdendo o encanto; sendo muitas vezes planta em momentos que me caberia melhor ser um bode berrante. Adiós, mande notícias do planeta Plutinho e cia.

O mundo bastou dar meio giro

Pra eu cair na sombra da tua última pegada

Que agora pisam os outros

Pés-ao-encontro do eu-não-conto

O que eu sinto

Porque eu só sinto o que sei.

Existem apenas humanos

Sendo atravessados-educados

Boatos, fatos:

Subsídios existenciais

Excessos tolos:

Precariedade em mim.