Arquivo mensal: fevereiro 2013

Três

Eu cismei que seria paz; Gritei pro mundo que seria paz; Sussurrei no meu travesseiro que seria. Mas era um grande anseio; pouquidade do que tive do meu lado, em vários pedaços, de vários modos diferentes. E agora…muitas palavras; Apenas palavras. E até elas podem ser arriscadas demais; Algo maior poderia nos arruinar. Então intercalo entre escrever e reescrever. Sozinha. Ah! Eu quero bravejar tudo até chegar na tua orelha. Quero bravejar até cair sem ar; E só acordar quando você chegar perto. Muito perto. Quando perto for o suficiente pra  você ficar do meu lado de vez em quando; quando de vez em quando for quase sempre e quando o quase sempre for pra você não se afastar mais assim.

 

[Nat King Cole – Smile]

 

Anúncios

A desalenta tentativa de condensar o irredutível

Desejava ser um espaço para que quando você não quisesse ficar sozinha se encaixasse em mim

Desejava ser um vazio cheio de planos patéticos, mesmo sabendo que não era nada
 
Desejava
Sem pensar duas vezes
Ouvir
A eufonia de tua voz
Todos os dias
 
Desejava embargar e reduzir em fragmentos
Tuas abatidas penas
Que insiste em dizer que são asas
 
Ontem mesmo
Desejei assumir pra mim 
Que você não está mais aqui
Ou perceber
Que não esteve de verdade
 
Agora me abrevio
No desejo de não desejar mais nada.
 
[Ouvindo: Stereophonics – Maybe tomorrow]
 

E como um brinquedo de corda, eu saio por aí batendo em quinas, parando em tapetes, pechando em pés estranhos. Corre e vem me pegar de baixo da mesa empoeirada, que foi aqui que eu acabei parando. Quando me pegar, dá mais corda, me solta no chão e assiste tudo de novo.

[The Doors – Soul Kitchen]