Arquivo mensal: janeiro 2013

Afogados no café

Afim de divagar sobre o amor

Acabamaos observando

As pombas e suas migalhas

 

[Tha Black Keys – I’m not the one]

 

Rumo esquerdo esse que o fada
Com borrões e sumiços
Se fosse o direito no começo
Não teria nascido

E mesmo que desse corda
Nos quietos relógios de lá
Ou transplantasse seus pulmões
Para voltarem a funcionar
Eles nunca diriam o que se passou naquele lugar

E mesmo que conseguisse uma cama forte
Ou penas de ganso para o seu travesseiro
Sentiria sua cabeça pesar
E seu grande pé esquerdo chegando no chão até afundar

Deve ter sido praga de padre
O pai, que não quis assumir
Ou azar de mãe pobre
Feia, puta e feliz

Deve ter sido sorte nascer um vivo
Em meio a um galinheiro de jumentos inteligentes.

[Ouvindo: Perotá Chingó – Bau del Aire]

Dois

Tenho passado meus dias almejando algo que não sei bem o que é. Tenho evitado ilusões que não sejam catalizadas por entorpecentes, pra não receber outro coice da realidade. Mas entre estrofes de Bohemian Rhapsody cantadas até a ronquidão total, e a frieza da rotina que congela até a alma, percebo que, talvez, sentir revitaliza. Tenho sentido meus dias com a frieza da rotina revitalizada. Tenho congelado Bohemian Rhapsody com a ronquidão total das estrofes. Mas entre almejar tanto algo que não sei bem o que é, e entorpecentes catalizados por ilusões, recebo talvez, outro coice da realidade.